terça-feira, 28 de junho de 2011

Se eu morrer jovem

Se eu morrer jovem, enterrem-me no vento. Deitem-me numa cama de rosas e depois afundem-me no mar, durante a alvorada. Mandem-me embora com as palavras de uma canção de amor...

Senhor, transforma-me num arco-íris, eu vou brilhar para a minha mãe... Assim, ela saberá que estou segura ao Teu lado quando estiver sob minhas cores...

A vida nem sempre é o que nós queremos que ela seja. Olhem para àquela mulher: "nem velha é, e já enterra o seu filho"...

A faca do destino é afiada e por vezes torna a nossa vida curta, bem... Eu tive apenas o tempo suficiente!

Vestirei branco quando entrar no Vosso reino. Estou verde, como o anel que deixo tirarem do meu dedo... Será que conheci o amor de um homem?! Com certeza pareceu bom quando ele segurou a minha mão...

Há um rapaz que diz que me vai amar para sempre... Quem teria pensado que o "para sempre" poderia ser interrompido!? O que eu nunca fiz está feito!

Queres pagar centavos pelos meus pensamentos?! Não permitirei! Eu vou vendê-los por milhares de dólares. Eles valerão muito mais depois da minha partida. E talvez aí, você vai ouvir as palavras que eu disse... Engraçado como só somos ouvidos depois de mortos...

Recolham vossas lágrimas, guardem-nas para quando elas realmente forem necessárias! Lembrem do meu sorriso e que, eu tive apenas o tempo suficiente para ser feliz e, aproveitei como pude... como foi melhor :)

PS: Uma singela homenagem a todos que deste mundo já partiram. Que suas almas descansem em paz...

sábado, 25 de junho de 2011

O poder dos mais de vinte anos

Das poucas vezes que neste ano tive vontade de sentar para acompanhar uma telenovela: ou foi por ter sido dispensada por algum rapaz que estivesse a assistir tal "obras de arte" (trazidas a nós principalmente por brasileiros) - porque sim, agora os homens estão viciados em novelas -; ou foi por estar a espera que algo de bom acontecesse na minha, as vezes, monótona vida... E aconteceu!
Ao ver uma cena da novela Insensato Coração, da TvGlobo, onde os personagens de António Fagundes e Camila Pitanga se desfaziam da sua "forjada" relação... Ouvi o tom, a poesia, a magia de Ellis Regina como música de fundo e, apaixonei-me.
Com a ajuda do Google, pude encontrar e aprender um pouco mais sobre a magia de 20 Anos Blue, a música em causa.
Espero que gostem e que se identifiquem (tal como eu) com mais este belo trabalho da eterna Musa da BossaNova, composto por Vitor Martins e Sueli Costa


Ontem de manhã quando acordei
Olhei a vida e me espantei
Eu tenho mais de 20 anos

E eu tenho mais de mil perguntas sem respostas
Estou ligada num futuro blue

Os meus pais nas minhas costas
As raizes na marquise
Eu tenho mais de vinte muros
O sangue jorra pelos furos pelas veias de um jornal
Eu não te quero
Eu te quero mal

Essa calma que inventei, bem sei
Custou as contas que contei
Eu tenho mais de 20 anos

E eu quero as cores e os colirios
Meus delirios
Estou ligada num futuro blue

Os meus pais nas minhas costas
As raizes na marquise
Eu tenho mais de vinte muros
O sangue jorra pelos furos pelas veias de um jornal
Eu não te quero
Eu te quero mal

Ontem de manhã quando acordei
Olhei a vida e me espantei
Eu tenho mais de 20 anos
Eu tenho mais de 20 anos

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Saudade que Alimenta

Do vazio da minha alma... Do mais delicado sorriso... Do mais abrangente abraço: ela está ali... Nos pequenos gestos, nas pequenas atitudes, nos grandes momentos... A Saudade alimenta a minha esperança, alimenta o meu viver... Saudade daquilo que tive, saudade daquilo que não pude viver... Saudades do futuro que posso não vir a ter.

Por vezes o "amanhã" parece tão incerto... Todos nós já duvidámos dele e muitos não viverão para vê-lo.

Momentos como estes deixam-nos vulneráveis, atentos, desiludidos... Porém, a dor que nos derruba, também é capaz de nos levantar e a Saudade... alimenta a nossa vontade de viver um pouco mais, de aumentar o número de lembranças que teremos de que um dia já fomos felizes (ou não)... De que um dia, enquanto uns tombavam, nós continuamos aqui...

terça-feira, 10 de maio de 2011

As cinco gavetas*

  • São famosas, controversas, enigmáticas, são reais. As famosas cinco fases da dor (Negação; Ira; Troca; Depressão e Aceitação) são uma realidade na minha vivência.

    Para muitos, elas só servem para casos profundos, como perdas físicas, morte de ente queridos. Para mim elas são necessárias, são fases do meu quotidiano.

    Quando "se mata um leão por dia", vamos tentando levantar, tentando superar... Abrir novas gavetas no armário da vida. Só que, e as que estão ainda abertas? E àquelas que têm demasiado material dentro e já não fecham em condições?!

    As gavetas da nossa vida podem ser arrumadas ou desarrumadas, podem estar cheias ou vazias, mas não nos podemos esquecer que é nelas onde estão as nossas histórias, as nossas vivências, recordações... memórias.

    Eu tenho cinco gavetas. Nelas nego, com elas me irrito, faço trocas, deprimo e depois tento continuar, aceitando que apesar de não ser fácil... é necessário!

    Tento sempre arruma-las. Porém arranjo subterfúgio na falta de tempo, na falta de vontade, na falta de coragem. O tempo, senhor do protagonismo, faz com que no momento certo nos organizemos.

    Uma limpeza nunca é fácil. Requer força de vontade, empenho e luta... E, quando achares que já não consegues lutar, respira fundo! É de borla e só te faz melhorar...

    Hoje, mais uma vez, decidi arruma-las. Digo sempre que já as tenho sobre controle, que já fiz o inventário, porém só o tempo dirá... Só a vida nos mostra o caminho a seguir.

    Cabe a nós sermos fortes o suficiente para ,acima de tudo, aprendermos que a nossa felicidade só depende de nós!
 
Hoje, quero poder fechar (e bem) algumas gavetas, e depois continuar ;)

 

É deselegante saber tudo ;)*


Ontem, durante uma agradável conversa com um bom amigo, quase consegui redimir-me de uma das minhas maiores falhas... Não saber nadar!
Não posso culpar os meus pais por esse lapso motor... Várias foram as oportunidades, depois de ter criado as primeiras asas para pular ninho afora, que tive para aprender a mergulhar, respirar dentro da água e flutuar (essa última faço com mestria). Creio que deve ser mais do que isso o “saber nadar”. Por exemplo, numa piscina de raia curta, sou tida como “pró”, faço tudo direitinho... Bem colada a borda.
Mas quando me aproximo de Kianda/Iemanjá/Posaidon desperto o lado mais tímido do meu ser... O lado que se aproveita de desculpas sórdidas por não saber fazer as coisas.
Quando questionada sobre o porquê que não sabia nadar, rápida respondi:
“Uma mulher não pode saber tudo, é deselegante!”...
E certa da minha verdade, continuei dizendo: “-Quando me perguntam se sei cozinhar, digo que sim... Se sei conduzir, falar outros idiomas e etc, digo sempre que sim! Acho elegante e também para não desencorajar os homens, dizer que não sei nadar”.
 Devo dizer que me baseei na máxima: O ignorante é sempre mais feliz.
Se isto é o mais correcto, provavelmente não, mas... será que ao assumir-me perfeita, demonstrando saber tudo, não estarei a ser hipócrita e a enganar o meu próprio ser?! Porque o limite entre o realismo e o egocentrismo é apenas uma leve linha que muitas vezes ultrapassamos.

Com isso, quero dizer-vos que não sou perfeita! Aproveitem o melhor e o pior desse blogue... Haverá sempre uma mensagem (positiva ou não) para os que por cá passarem ;)


*Publicado em jandiramiranda.criarumblog.com, aos 28/03/2011